A Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS incluiu 55 pessoas para depoimento, mas deliberadamente excluiu o irmão do presidente Lula, Frei Chico, do rol de convocados. O acordo foi mediado entre governistas e oposição, em troca de ampliar o escopo da comissão para investigar desde o governo de Dilma Rousseff até o atual mandato.
Segundo integrantes da comissão, a exclusão foi uma condição imposta pela base governista para viabilizar a aprovação do pacote de convocações em bloco. Em contrapartida, a investigação foi ampliada para abranger supostas fraudes e irregularidades na Previdência desde o governo Dilma Rousseff até o atual mandato de Lula.
O presidente da CPMI, Carlos Viana (Podemos-MG), defendeu a decisão afirmando que não havia indícios técnicos suficientes para justificar a convocação de Frei Chico, que ocupa o cargo de vice-presidente do Sindnapi (Sindicato Nacional dos Aposentados). Relatórios da Controladoria-Geral da União (CGU) já haviam mencionado seu nome em investigações, mas sem abertura de processo formal.
O relator da comissão, Alfredo Gaspar (União-AL), reforçou que a aprovação coletiva de requerimentos evita o que chamou de “espetacularização política” da CPI. No entanto, a exclusão do irmão do presidente foi interpretada por setores da oposição como uma blindagem direta à família Lula.
Apesar da polêmica, a ampliação do escopo da investigação permite que a CPMI analise não apenas irregularidades atuais, mas também práticas herdadas de gestões anteriores. O movimento, segundo analistas, pode reduzir o desgaste do governo Lula e, ao mesmo tempo, manter o interesse da oposição em apurar responsabilidades de ex-ministros e gestores.
Para especialistas em política, a decisão expõe como CPIs seguem sendo palco de negociações de bastidores que buscam equilibrar pressões políticas, preservação de aliados e a própria governabilidade.